***Ele a olhava como se ela fosse unica no mundo. Tantas vezes ela quis ser olhada desse jeito e agora, quando finalmente estava acontecendo, não parecia real, não parecia certo. Por mais que ela quisesse (e, ah, como queria) seu coração não lhe pertencia por completo. Ela o amava, claro que sim, mas não da forma que desejava, não da forma que deveria, e enquanto os olhos dele se prendiam em seu rosto com a profundidade de um oceano inteiro ela se sentia parte e alheia ao mesmo tempo. Seu pensamento ainda vagava pro outro lado, para outros braços, pra outra cama. Ela tentou esquecer por horas que se tornaram dias, por semanas que se tornaram meses, mas parecia que não queria sumir, as lembranças de outro alguém estava tão presente em sua mente, como marca na pele, como cicatriz de um acidente grave. Ele estava ali em cima dela, completamente nú e com alma exposta; era tudo oque ela queria, mas não dele exatamente; as coisas sairam um pouco do controle, ela sabia disso,e isso a assustava e foi por isso que, quando a voz dele a tirou de seus devaneios com a pergunta que toda garota quer ouvir da pessoa que esta nua ao seu lado sua resposta foi unica e direta "Não".
*Ela era romantica, e havia romantizado esse momento e aquela pergunta, imaginou por noites, com a cabeça encostada no travesseiro, o momento perfeito, mas em nenhum de seus pensamentos ou sonhos era aquela voz que lhe fazia a pergunta. Ela sabia que devia seguir em frente, sabia que as noites em claro não levariam a nada, mas como dizer sim, olhando nos olhos de alguém enquanto deseja tão intesamente outo que o corpo dói e a alma e o coração gritam.
*Ela nunca foi muito fã de coisas certas e ele parecia certo demais, ela gostava dele, arriscou a dizer que o amava, e era verdade, ela nunca proferia tais palavras se fossem mentira, mas era um romance que parecia certo, como se tivesse que ser e ela amava o errado, o talvez. O outro era assim, ela o amava, tao louca e desesperadamente, que parecia a coisa mais errada, ela o desejava a cada segundo e cada toque, explodia de prazer com a mera lembrança de seus olhos castanhos e sua pele morena. Ainda procurava na nuca de quem quer que estivesse com ela vestígios dos cabelos pretos longos demais, nos quais ela adorava enroscar os dedos e se perder, mas ela o amava tanto que não parecia certo, parecia contra o decoro.
*Depois que ele a fez chegar ao ápice do prazer e saiu de cima dela, a pergunta se tornou o "enorme elefante na sala", mas ela ficou quieta, odiava clichês. Ele a fez de novo, repetiu aquela pergunta que, nos últimos quatro meses ela esperou ouvir de outro. E os olhos dele brilharam enquanto olhavam para o rosto dela esperando a resposta, ela nunca tinha visto tanta sinceridade no rosto de um adulto, era sincero demais, suave demais era calmo, era tranquilo, mas embora deitar a cabeça no peito nu dele com as pernas enroscadas na dele e as unhas transcorrendo linhas finas em seu abdome lhe trouxesse paz e alguma distancia, mesmo que minima, de seus devaneios, ela não podia aceitar, não podia fazer isso com ele, não podia fazer isso com ela mesma. Aquilo significava muito, e ela fingir que estava dormindo foi a melhor coisa que fez. E antes de a escuridão recair de fato sobre seus pensamentos, fingiu não ouvir, também, o "Eu Te Amo" que ele proferiu antes de depositar um ultimo beijo em sua cabeça.
*Ela dormiu no peito dele e sonhou com o outro. Entre o que parecia errado e oque era o certo, ela sabia qual deveria escolher, não que o outro fosse uma opção naquele momento, mas enfim, alguma coisa dizia que voltaria, sempre voltava, e sempre ia embora. Os dias que seguiram aquela noite, foram torturante, e ela criou histórias e invetou diversos motivos para ter dito "Não", sua mente era boa para criar motivos para se esquivar das pessoas, e era melhor ainda em afastar pessoas, mas ela não queria afasta-lo, ele fazia um bem tremendo pro coração cansado que ela carregava dentro do peito... No fim ela sabia , dizer "Sim" era a unica saída que restou. Sua mente iria continuar pensando no outro, seus sonhos iriam, as vezes, vagar por outro corpo e seus dedos iriam procurar muitas outras vezes os cabelos pretos longos demais para se enroscarem e seus olhos buscariam ainda muitas vezes a iris castanha. Ma ali ele era seguro e preenchia, de certa forma e, as vezes de forma incompleta, aquele imenso buraco que o outro tinha deixado em seu peito, aquele imenso eco de gritos e saudade. Ele acabou, por acaso, se tornando o porto seguro dela.
by: Bruna Marques ♥

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