quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

*Você, eu, fogo e um papel...


***Eu estava hoje na minha casa pensando em você, pensando em nós, e em como nos fizemos cinzas e em como tudo se dissipou, então decidi tentar algo: peguei uma folha de papel e escrevi nossos nomes então pus fogo, segurei o papel enquanto o fogo o consumia até quase me queimar, e então o joguei no chão e fiquei ali parada vendo o fogo consumir não só o papel, mas nossos nomes escritos, até fazê-los cinzas. Percebi o quanto isso parecia com a realidade, eu e você nos deixando queimar enquanto olhávamos atônitos as chamas nos consumindo até tornarmos cinzas, mas algo estava errado, algo de diferente naquela cena do papel, ali seu nome sumiu, junto com o fogo, junto com o meu, então notei a diferença: seu nome ainda não sumiu, percebi que ele não estava gravado apenas naquele papel no qual ateei fogo e sim no meu coração, as letras entalhadas em baixo relevo, como num tronco de arvore, porém mais profundo, e notei que uma simples labaredas não seria o suficiente para tirá-lo dali, seria preciso bem mais que chamas para te tirar de mim, não haveria fogo que te apagasse ou chamas que te desfizessem de mim, do meu coração, cada letra muito bem gravada foram se aprofundando com o tempo e quase passaram para o outro lado, então sempre terá vestígios de você...
***Eu e você acabamos, mas seu nome ainda esta gravado em mim, seu nome ainda esta marcado no meu dedo, suas lembranças ainda assombram minha mente, e não importa quantos papeis eu queime com nossos nomes isso não ira tirá-lo de mim assim, não importe quantos montes de cinzas eu deixe pelo caminho, ou quanta tinta de caneta eu use para escrever nomes nos papeis, isso não mudara nada, aparentemente só vai fazer doer mais, a medida que eu vou percebendo o que passou e eu não poderei voltar.
***As chamas, aquele papel, aqueles nomes, tudo me remeteu ao passado, um passado que agora parece estar tão distante, mesmo estando há apenas alguns momentos do agora, mas não adianta de qualquer forma não vai voltar, as chamas só me fazem ter certeza disso, por mais que eu as apagasse do papel o dano já teria sido feito e não haveria como voltar atrás, o papel só me ajudou a lembrar o quanto seu nome esta aqui gravado sem poder ser apagado até que o Tempo resolva fazer seu trabalho, e os nomes, bom os nomes, hoje, são apenas nomes...



By: Bruna Marques 

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